quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Patton e o avanço para Bastogne








O Tenente-General George S. Patton Jr era o cão de briga do comando aliado. Durante toda a campanha do oeste europeu ele conduziu o 3º Exército por uma jornada de vitórias.

Os comandantes alemães conheciam sua tenacidade, sabiam que ele empregava de forma muito eficiente seus recursos e conseguia tirar o máximo de desempenho dos soldados sob seu comando. Eles reconheciam que se Patton reunisse os recursos de que necessitava alcançaria o sucesso e os derrotaria.

Suas habilidades o tornaram um gigante em batalha e o inimigo mais temido pelos nazistas.



Hitler vai a luta
Em dezembro de 1944 os exércitos aliados já haviam libertado grande parte da Europa Ocidental, fazendo as tropas alemãs retrocederem de volta para a Alemanha. O General Eisenhower neste momento já vislumbra a vitória e o fim da guerra. No entanto, Hitler se nega a aceitar a derrota. Meses antes ele havia planejado junto com seu Estado-Maior um ataque de grandes proporções pelo flanco noroeste através da floresta das Ardenas. Seu principal objetivo era isolar as forças aliadas de sua base de suprimentos e capturar o porto de Antuérpia. Um plano ousado, pois além do mau tempo, Antuérpia estava a pelo menos 200 Km do ponto de partida.

Seu plano consistia em lançar um ataque surpresa sobre as tropas aliadas na Bélgica em fins de novembro, porém diversos atrasos causaram o adiamento da operação para 16 de dezembro de 1944. Quatro exércitos foram organizados para essa grande ofensiva, o 7º, o 5º Panzer, o 6º Panzer SS e o 15º. Um total de 48 divisões seriam empregadas nos estágios iniciais da batalha.

Na madrugada de sábado 16 de dezembro, as tropas alemãs se lançam sobre a região, que estava sendo guarnecida por tropas desfalcadas do 8º Corpo do exército, sob comando do Major General Middleton. O impacto foi tão avassalador que em pouco tempo as tropas aliadas começaram a perder suas posições. A 28ª Divisão de Infantaria sofreu milhares de baixas. Colocando forte pressão os alemães já no primeiro dia conseguiram abrir uma brecha de 22 km na linha de frente aliada.

Em seu QG Eisenhower prepara planos de contingência para barrar o avanço alemão. Ele decide enviar reforços para as cidades estratégicas de Bastogne, St Vith e Malmedy. Mas para que os reforços cheguem a tempo é preciso que as tropas de linha de frente retardem o avanço alemão. Duas eram as alternativas; minar trechos da estrada, ou criar bloqueios estratégicos na rota de ataque inimiga. Ike optou pelas duas alternativas. Tais medidas foram de grande valor, pois retiveram os nazistas permitindo que os reforços chegassem a seu destino.

Apesar da brava resistência, as unidades alemãs em menos de 48 horas derrotaram os diversos postos de contenção, matando ou aprisionando os soldados americanos. A 1ª Panzer SS utilizou gado para limpar os trechos minados da estrada.

Em 18 de Dezembro as tropas alemãs haviam destruído os principais pontos de resistência. Por todo o campo de batalha havia grupos de soldados americanos que se encontravam desgarrados de seus companheiros e de suas unidades. Sob o comando do general Norman Cota os remanescentes da 28ª Divisão de Infantaria deslocaram-se apressadamente para a retaguarda, abrindo caminho para o avanço das unidades alemãs.





Bastogne
Na noite de 18 de Dezembro a 101ª Divisão Aerotransportada chega em Bastogne. Rapidamente o general McAuliffe adota medidas defensivas. A cidade é um importante pólo rodo-ferroviário. Se os alemães a ocuparem terão acesso a 7 rodovias e 2 estradas de ferro, podendo assim despejar tropas por diversas áreas, teriam acesso inclusive aos centros de comunicações, logísticos e de comando aliado, causando um desastre de grandes proporções.

Por esta razão era necessário defender a cidade a qualquer custo. Dezoito mil combatentes das divisões 101, 10ª blindada e remanescentes da 28ª Divisão de Infantaria são posicionados no dispositivo defensivo da cidade. São construídas fortificações e trincheiras para reforçar a linha

No dia 19 de Dezembro houve o primeiro embate entre americanos e alemães nas mediações de Bastogne. O grupo de combate Task Force Rose (CCB 10ª Blindada) entra em luta com o batalhão de reconhecimento da 2ª Divisão Panzer as margens do Clef. Durante 2 horas e meia se travou uma luta intensa. Os americanos conseguiram destruir 5 tanques e causar pelo menos 80 baixas ao inimigo. Mas as defesas se tornaram insustentáveis, pois os alemães conseguiram romper o flanco. A situação crítica fez com que o coronel Crossman, comandante do destacamento, solicitasse permissão para retrair em busca de uma posição mais defensável.

As tropas sitiadas em Bastogne encontravam-se numa situação muito precária, pois além de estarem em desvantagem numérica (4 atacantes para cada defensor) elas careciam de munição, alimentos, suprimentos médicos, cobertores e combustível. Ou seja, faltava lhes tudo. A coragem era a maior arma para resistir ao assédio inimigo. Durante uma semana os soldados americanos resistiram aos diversos ataques alemães. O comandante do 5º exército alemão enviou uma proposta de rendição honrosa aos defensores, que foi respondida (NUTS) desdenhosamente por McAuliffe.

A situação piorou muito ás vésperas do Natal. O céu se abriu e foi à vez da Luftwaffe atacar a cidade belga. Mas na manhã de Natal, os C-47 lançaram mantimentos, remédios e munição aos combatentes. Patton enviou a seguinte mensagem aos sitiados. “Aos combatentes de Bastogne, Feliz Natal estou a caminho. Mantenham os hunos fora!"


4ª Divisão Blindada a caminho de Bastogne

O general Patton colocou seu plano em ação para o avanço. Ele ordenou a 4ª Divisão Blindada que assumisse a testa do deslocamento. Estrategicamente o movimento foi ousado. Pois os alemães com certeza iriam procurar deter o avanço do 3º Exército, empregando armas e táticas para conter seus Shermans. Os tanques M4 Shermans eram essenciais para o plano de Patton, ele os usava como sua cavalaria. Mas os nazistas tinham armas que eram capazes de aniquilar suas colunas blindadas.

A estrada para Bastogne era longa e muito sinuosa, com muitos obstáculos e margeada pela floresta. Além disso, a neve alta, o vento e a chuva também serviriam de obstáculos para o avanço.

Os alemães espalharam tropas da 5ª Divisão Paraquedista por diversos pontos da rodovia. Essa força de contenção deveria barrar qualquer iniciativa aliada. Mas em todos os casos, as armadilhas e emboscadas alemãs foram sendo vencidas uma a uma.

O 1º Pelotão da Companhia Bravo comandado pelo tenente Howard C. Peake fazia a vanguarda do 35º Batalhão de Tanques. Após atravessar uma colina sofreu um ataque lateral por tropas do 15º Regimento Fallschimjaeger (Paraquedista), que munidos de Panzerfaust destruíram 2 de seus Shermans. Reagindo ao ataque Peake ordenou aos tripulantes de seu tanque e do nº 4 que disparassem contra as posições inimigas. Depois de 20 minutos de fogo intenso ele conseguiu vencer uma força de aproximadamente 100 alemães, que estavam ali acantonados.

Na tarde do dia 22 de Dezembro, a coluna do Comando de Combate A (CCA) sofreu um sério bombardeio pela artilharia inimiga, que se encontrava em uma posição elevada a leste da estrada. Sob o comando do Major Willian B. Jenkins, o 51º Batalhão de Infantaria Blindado e 1 Regimento da 80ª Divisão atacou a posição forte dos alemães. Uma luta feroz se travou naquele trecho da estrada, pois a posição estava reforçada por 1 batalhão de paraquedistas alemães. Os nazistas estavam dispostos a defender a posição a qualquer custo. A infantaria americana, mesmo apoiada pelos fogos dos tanques Shermans, levou mais de 15 horas para capturar o posto do inimigo. Os soldados do 51º batalhão, apesar da quantidade de baixas conseguiram vencer a luta.

Com o conseqüente retraimento das tropas inimigas para o leste, o Comando de Combate A prosseguiu sua marcha para Bastogne. Os alemães começaram a dinamitar trechos da estrada, bem como derrubar dezenas de arvores para obstruir o caminho. As unidades de engenharia foram deslocadas para fazer a limpeza da região. Porém a cada curva o inimigo se mostrava presente e disposto a fazer os atacantes pagarem muito caro por cada quilometro percorrido.

O tempo continuava muito ruim e ao anoitecer daquela noite o chefe de Estado-Maior do 3º Exército sugeriu que a coluna estacionasse, pois estava se tornando impossível manter a marcha. Patton protestou, disse que o atraso favorecia somente os alemães. Que Bastogne estava por um fio e que homens valorosos estava morrendo na cidade. Nesta noite o general proferiu sua famosa oração para o tempo.

Na manhã de 24 de Dezembro, após vencer os diversos obstáculos, a vanguarda do CCB observou que a estrada fazia uma bifurcação, formando três novas rotas de progressão. Justamente neste ponto os alemães haviam posicionado 3 tanques Tigres do 506º Batalhão Panzer SS (Abteilung 506) e um batalhão de panzergranadeiros SS. Dessa forma os nazistas haviam bloqueado o acesso sul de Bastogne.

Sob o comando do Tenente-Coronel Perkings 12 tanques M4 e 3 M10 com tropas do 318º Regimento de Infantaria atacam a posição alemã. Os tigres abriram fogo destruindo 3 Shermans em seqüência. A luta renhida entre alemães e americanos durou pelo menos 2 horas. Apesar de perderem a posição, os alemães causaram sérias baixas ao grupo atacante. A capacidade operacional do 35º Batalhão de tanques ficou comprometida. Ele vinha liderando o avanço desde o Sarre, até aquele ponto já havia perdido 23 tanques, sendo que foi preciso substituí-lo pelo 37º Batalhão do Tenente-Coronel Craigton Abrams. Essas três estradas tornaram-se de grande importância ao avanço, pois assim se poderia atacar os alemães por 3 eixos diferentes. O general Gaffey (comandante da 4ª Divisão) decidiu enviar o CCA pela estrada da direita, seguindo a rota para Arlon e o CCB à esquerda, que levaria ao sudeste da cidade. Essa situação se mostrou afortunada. Sem ter prévio conhecimento do que acontecia, os dois Comandos de Combate acabaram cercando forças inimigas que se concentravam para lançar mais um ataque a Bastogne.



O Ataque de Abrams

Depois de analisar a situação, Patton chegou à conclusão de que o ponto mais adequado para romper o cerco se encontrava na localidade de Arlon. Formou-se uma força de choque composta pelos 37º Batalhão de Tanques e o 53º Batalhão de Infantaria Blindado.



A situação obrigava as forças blindadas do 37º Batalhão a empreenderem profunda penetração em território dominado pelo inimigo. No entanto, bastaria um campo minado, ou emprego de fogos antitanque, em um ponto de estrangulamento da via de acesso para que a operação estivesse comprometida.

Abrams sabia que a adversidade e a surpresa são companheiras do combate. Logo que começou o avanço avistou na estrada o primeiro tanque inimigo. Ordenou que o atirador abrisse fogo, o tiro dado, a curta distância, pôs em chamas o blindado alemão. Após percorrer poucas centenas de metros, escutou uma explosão e verificou que perdera o tanque que progredia a sua direita. Soldados panzergranadeiros haviam destruído o tanque com panzerfaust. Imediatamente a metralhadora do tanque abriu fogo ferindo mortalmente os 4 soldados alemães. Ao galgar uma elevação, avistou na estrada três Tanques Tigres que sem hexitar abriram fogo contra os Shermans de Abrams. A luta se tornou muito feroz, apesar de estarem em menor número os Tigres levaram vantagem destruindo 5 carros do 37º Batalhão. Aquele cenário caótico do combate exigiu que Abrams pensasse rápido e ousasse. Ele avançou com 8 carros sobre os blindados alemães. Com uma manobra arojada os tanques americanos abriram fogo. O Carro de Comando de Abrams disparou 4 vezes contra um dos Tigres em pouco mais de 1 minuto . Fazendo explodir o tanque alemão. Aquela massa de fogo em movimento mudou drasticamente a situação destruindo os inimigos restantes. Tiro rápido, ousadia, manobra arrojada e flexibilidade permitiram a vitória.



Os Alemães Tentam Conter Abrams


Cientes do avanço americano pelo eixo sudeste, o comando da Divisão Panzer Lehr envia um grupo de combate para impedir o acesso a Bastogne. O capitão Hans Lunker comandava o grupo de Panthers e panzergranadeiros que fora designado para conter o avanço da 4ª Divisão Blindada no caminho Arlon/Bastogne. Dispondo seus tanques em linha, Lunker pensou em criar uma barreira de aço e fogo para impedir o acesso à cidade belga. Quando a vanguarda do 37º avistou os tanques inimigos começou a disparar desesperadamente. Os Panteras responderam ao fogo americano. Em pouco tempo a luta se torna geral. Tiros certeiros dos Panthers destroem 4 Shermans e 3 Meia Lagarta M2. Em menos de 1 hora a força tarefa nazista havia causado diversas baixas aos atacantes. Mas Abrams beneficiando-se de seu tirocínio optou por uma manobra conhecida como Fogo em Linhas Exteriores (dois ou mais grupamentos de forças de forma convergente atuam sobre o inimigo). Assim o 37º Batalhão de Tanques e o 53º Batalhão de Infantaria Blindado inverteram a situação, pois limitaram o campo de maneabilidade dos tanques alemães, os colocando em uma posição desfavorável.

O Grupo de Shermans abriu fogo. A reação dos germânicos foi imediata; três tiros rápidos e três tanques americanos irromperam em chamas. Mas naquele momento, o veículo de comando foi atingido e Lunker ferido. Ele abandonou o carro e subiu em um outro. Era a segunda viatura que perdera naquele combate. Pouco tempo depois, percebeu que esse segundo tanque tinha poucos tiros. Naquele instante, ele tinha duas alternativas: abandonar a luta, por insuficiência de meios ou reestruturar as forças que tinha e manter-se em combate. O capitão alemão sabia que não podia ceder aquela via aos aliados. Optou pela segunda linha de ação. Após uma análise rápida, decidiu que a única saída seria um contra-ataque de desorganização, a fim de atrasar a coluna americana Manobrou seus tanques (5 veículos) em cunha e abriu fogo. Lunker sabia que era impossível deter os tanques americanos, porém ele tinha esperança que essa reação permitisse destruir uma considerável parcela do poder de combate inimigo. A luta durou por aproximadamente 2 horas. Quando os veículos alemães não tinham mais o que disparar seus tripulantes saltaram dos carros e combateram de trás dos tanques, com fuzis e granadas de mão. Lunker e o cabo Speidel foram os últimos a serem abatidos.


Agora a 4ª Divisão se encontrava a 9 Km de Bastogne. Porém seu valor combativo havia diminuído muito. O comando da divisão, após equacionar seus recursos resolveu formar uma força de assalto composta pela Companhia C do 37º Batalhão Blindado e a Companhia C do 53º Batalhão de Infantaria Blindado. Apoiados por fogos de Artilharia as duas companhias sob comando de Abrams avançaram às 3 horas da manhã de 26 de Dezembro.

Mais uma vez a obstinada resistência alemã causou diversas baixas aos atacantes. Os tanques alemães destruíram 4 Meia Lagartas do 53º Batalhão. Uma luta feroz se travou a cada quilometro de avanço, o objetivo foi alcançado a custa de muito sangue americano. Às 17 horas, após uma barragem de artilharia a Força de Assalto derrotou as ultimas tropas alemãs fazendo aproximadamente 400 prisioneiros e alcançou uma das principais estradas pavimentadas no subúrbio de Bastogne. Pouco tempo depois o pelotão de Shermans do tenente Boggess, encontra os engenheiros do 326º Batalhão da Divisão 101ª Airborne. Por volta de 18:30 Abrams informa Patton. “Cerco quebrado, missão cumprida”.




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A Ofensiva das Ardenas

Após os sérios reveses sofridos na Normandia o Alto Comando Alemão chegou a conclusão que tudo poderia estar perdido no fronte Oeste se não fosse tomada uma decisão que afastasse as forças aliadas das fronteiras do 3º Reich. Além disso, o exército vermelho avançava rapidamente no front Leste rompendo as tênues linhas alemãs.


A Preparação

Em setembro de 1944, o marechal Keitel, Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e o coronel-general Jodl, chefe de operações do Estado-Maior do Führer se reuniram no QG de Hitler na Prússia Oriental. Hitler então apresentou a eles a atual situação militar da Alemanha e pediu a Jodl que criasse um plano estratégico para uma grande ofensiva no oeste. Hitler queria que o ataque se iniciasse entre a área de Aaachan e o sul da fronteira da França e Luxemburgo. O local era favorável devido ao seu retrospecto tático. Em 1940 os exércitos alemães entraram na França utilizando-se dessa rota. Aplicando a Blitzkrieg levaram os exércitos francês e britânico a uma derrota vexatória.

Segundo a diretiva do Führer era necessário que se fossem formadas 25 novas divisões. Outras 15 deveriam ser recompletadas. Além disso, entraria em atividade o 6º Exército Panzer SS composto por mais 14 divisões; todas SS. Muitos generais acreditavam que tais medidas fossem impossíveis de serem alcançadas. Que só por milagre a Alemanha poderia repor metade das perdas que sofrera naquele front. Mas para surpresa dos céticos a produção bélica alemã atingiu índices sequer sonhados, mesmo sobre continuo ataque de bombardeiros aliados. Recorrendo ao que restava do potencial humano, usando todos os capazes para desempenhar funções militares, entre eles rapazes de dezesseis anos e maiores de quarenta e cinco. O Alto Comando do Exército conseguiu repor os efetivos das divisões desfalcadas e ainda conseguiu criar 28 novas divisões de Volksgrenadier (Infantaria Popular). Até mesmo as reservas móveis que haviam sido destruídas conseguiram ser repostas para poderem entrar em ação.



O Comando

Quatro Exércitos alemães seriam empregados na ofensiva das Ardenas. Dois panzer e dois regulares. Para o comando da operação foi designado o Marechal Von Rundstedt, comandante em chefe do Oeste, para o comando do grupo de exércitos B, foi chamado da frente oriental o marechal Model. O 7º Exército era comandado pelo general Brandemburger, general Von Manteuffel foi designado para o comando do 5º Exército Panzer, Joseph Seep Dietrich, um dos mais antigos colaboradores de Hitler, assumiu o comando do 6º Exército Panzer SS. Como reserva da força atacante estaria o 15º Exército comandado pelo coronel-general Gustav von Zangen . No total seriam empregadas 48 divisões em combate, por 3 eixos de ataque diferentes.



O Plano

Para neutralizar a ação das forças aéreas aliadas, a operação seria ativada em fins de novembro. Pois estando os céus repletos de densas nuvens em razão das nevascas os aviões aliados estariam impedidos de operar.

O plano geral de ação baseava-se nas clássicas linhas da Blitzkrieg, após tremenda barragem inicial de artilharia, tropas de assalto blindadas e motorizadas romperiam a linha americana em doze lugares, criando furos onde as colunas de infantaria se despejariam. As tropas blindadas então avançariam rapidamente pela acidentada região das Ardenas sem dar atenção a seus flancos e capturariam pontes sobre o rio Mosa. Essa primeira fase da operação precisava ser executada dentro do cronograma do alto comando. Agilidade e rapidez eram palavras de ordem, tudo precisava ser realizado antes que os aliados pudessem recuperar o equilíbrio.

Uma vez cruzado o Mosa teria inicio a segunda fase da ofensiva: um avanço em duas pontas na direção noroeste, para Antuérpia (o principal porto de abastecimento das forças aliadas), O ataque do grupo de Exército B seria secundado por outro feito pelo 19º Exército do general Student, na Holanda e quando tomados Antuérpia e o estuário do Escalda, as forças aliadas na Europa estariam cortadas em dois, sendo que seus 4 exércitos no norte (1º e 9º americanos, o 2º britânico e o 1º canadense) poderiam ser destruídos. Assim o governo alemão em vantagem tática poderia propor aos aliados um processo de paz em separado. A Alemanha poderia então transferir todas as suas forças para o Leste e assim aniquilar o exército vermelho.



O Inicio da Batalha

Muitos problemas logísticos tornaram impossível a data original, (20 de Novembro), levando Hitler a concordar com vários adiamentos. Após a resolução de tais problemas se fixou uma hora inalterável: 5:30h de sábado 16 de dezembro de 1944.

O principal peso da blitz (8 divisões de infantaria e 5 blindadas) foi reunido contra apenas 72 Km da frente americana, defendidos por nada mais que uma divisão blindada desfalcada e 4 divisões de infantaria que haviam sofrido sérias baixas em Hurtgen.

Aproximadamente 700 peças de artilharia, leves, médias, pesadas e howitzers e 340 lançadores múltiplos de foguete abriram fogo contra as posições americanas.

Os 5º e 6º Exércitos avançaram pelas Ardenas passando por cima das tropas americanas. Já nas primeiras horas do avanço germânico, diversas posições americanas haviam caído. Milhares de soldados americanos foram feitos prisioneiros. Outros tantos bateram em retirada.

Uma das poucas unidades americanas a resistir aos reveses alemães foi o 110º Regimento de Infantaria. Essa unidade estava estacionada a oeste do rio Our. Por estar numa posição privilegiada para a defesa o regimento espalhou suas tropas em seis setores distintos que seriam utilizados pelos alemães na travessia do rio. Três pontes numa frente de 5 Km precisariam ser defendidas a qualquer custo.

A situação tática demonstrava que um forte ataque alemão podia atravessar o Our em qualquer setor do 110º de Infantaria, pois a defesa, muito espalhada, não poderia detê-lo. O que seria possível no máximo era atrasar a velocidade do ataque até a chegada de reforços. Apesar da heróica resistência o 110º Regimento de Infantaria que durante 4 dias de combate enfrentou sozinho 3 divisões alemãs acabou se rendendo.



Cidades Chaves

O principal objetivo alemão era conseguir o controle da rede rodo-ferroviária o mais depressa possível, não só para seu próprio uso, como para impedir que os americanos despejassem reforços trazidos do norte e do sul. Para controlar as comunicações das diversas rotas seria preciso capturar e defender quatro centros rodoviários: Malmedy, Saint Vith, Houffalize e Bastogne e se possível cumprir a rígida tabela, as quatro cidades belgas deveriam cair no primeiro ou no segundo dia de operação.

Pelo planejamento operacional do Grupo de Exércitos B a captura de Malmédy ficaria a cargo do 6º Exercito Panzer SS. As outras três cidades seriam tomadas pelo 5º Exército Panzer.

Panzers alemães em avanço para o interior da Bélgica


Saint Vith é o ponto central de cinco importantes rodovias e de três ferrovias (que havia sido alemã até ser entregue a Bélgica após a 1ª Guerra Mundial e onde pelo menos metade dos habitantes se ergueriam em vivas quando as tropas da Wehrmacht retornassem), era o primeiro objetivo do ataque da ala direita do General Manteuffel.

Houffalize, cuja aproximação seria feita pelo leste, ao longo de estradas estreitas e difíceis, deveria ser tomada pela 26ª Divisão Volksgranadeira junto com a região de Laroche e as pontes do Mosa, tudo sendo executado pelo ataque dirigido ao centro da formação do 5º Ex Panzer.

Cerca de 20 Km mais ao sul encontrava-se o ultimo e mais importante dos centros estratégicos a serem conquistados, Bastogne, o ponto mais distante da linha de partida do 5º Exército.
A posição geográfica de Bastogne é muito peculiar, pois além de ser um importante anel rodo-ferroviário, com sete rodovias cruzando a cidade, existe dois rios que cortam os subúrbios. Bastogne também se encontra numa posição elevada, impossibilitando o ataque relâmpago. Mas pelo plano diretor de Hitler, Bastogne era um alvo a ser tomado a qualquer preço. A cidade tinha de ser capturada até o segundo dia, no máximo, e defendida de quaisquer contra-ataques, pois sua importância residia não só no fato de ser a chave para a rede rodoviária leste-oeste, vital para o avanço da ala esquerda do general Manteuffel, como também se os americanos pudessem defende-la, Bastogne se transformaria no trampolim para a contra-ofensiva aliada.


O Drama dos Aliados

Em dezembro de 1944 ninguém da esfera de comando aliada esperava uma ofensiva alemã. Claro que havia relatos por parte da seção de inteligência que os alemães já haviam se recuperado da derrota na Normandia e das perdas durante a retirada pelo norte da França. Mas uma ofensiva de grandes proporções estava fora de qualquer plano de contingência do QG supremo aliado. Surpreendentemente também foi o local por onde avançaram as forças alemãs, cheio de ondulações e recoberto de florestas.

Carecendo de reserva estratégica real, pois a grande maioria das suas forças estava em operações ofensivas, o general Eisenhower decidiu usar as duas divisões que tinha na reserva, a 7ª Blindada e a 101ª Paraquedista. Além disso, ordenou que Patton enviasse a 10ª Blindada para as Ardenas, o que foi feito apesar dos protestos do general comandante do 3º Exército.

Incapaz de fazer outra coisa pelo menos de imediato, senão dar forma aos seus contra-reforços, Eisenhower tentou obter mais reposições de infantaria para as divisões que defendiam a frente. Ele percorreu as instalações da Zona de Comunicações, as empenhadas em operações de abastecimento, à procura de homens que estivessem dispostos a receber treinamento para combaterem na infantaria. Ele convidou os soldados negros que estavam servindo em unidades segregadas para se apresentarem como voluntários para o combate integrado.

Havia leis de segregação racial nas forças armadas americanas. Os soldados negros eram considerados aptos apenas para trabalharem como motoristas de caminhões ou outras atividades logísticas. Claro que havia exceções, uma divisão de infantaria negra (92ª DI) estava lutando na Itália e várias unidades blindadas e de artilharia integradas apenas por negros batiam-se na Europa Ocidental.

Porém o convite feito pelo General Eisenhower aos soldados negros para que entrassem em unidades brancas em absoluta igualdade de condições sofreu sérias restrições pelo general Walter Bedell Smith chefe do Estado-Maior de Eisenhower. Citando regulamentos que estipulavam a separação das raças no exército americano, Smith insistiu que a integração dos negros em unidades de combate com brancos seria considerada ofensiva pelo público americano. Além disso, tal atitude indicaria ao inimigo que a ofensiva das Ardenas pusera o comando aliado a beira do pânico.


Os Comandos de Skorzeny

Otto Skorzeny era austríaco, engenheiro civil. Em 1938 com anexação da Áustria, incorporou nas SS com o posto de tenente sendo admitido no Leibstandarte SS (a guarda pessoal de Hitler). Em 1943 Skorzeny protagonizou uma das maiores façanhas da 2ª Guerra Mundial. Com a invasão aliada na Itália. O Marechal Badoglio e outros membros do conselho fascista depuseram Mussolini e o esconderam. Hitler então ordenou que Skorzeny localizasse-se o Duce e o enviasse para Berlim. Durante dois meses Skorzeny já no posto de major secretamente fez investigações pelo interior do país. Toda a operação precisava ser discreta, pois apesar do novo governo italiano demonstrar uma certa simpatia pelos aliados, no papel ainda faziam parte do Eixo.

Em setembro de 1943 Skorzeny descobriu que Mussolini era feito prisioneiro no Gran Sansso um hotel nos Alpes italianos. Com uma força reduzida de paraquedistas Skorzeny tomou o hotel, rendeu a guarnição italiana e resgatou Mussolini sem dar um único tiro.

Por essa e outras ações de comandos Skorzeny foi escolhido para comandar um grupo de operações especiais da SS. Com o planejamento da Ofensiva das Ardenas Skorzeny recebeu ordens para treinar um grupo de comandos que deveriam atuar por trás das linhas aliadas. O curioso é que todos os integrantes dessa força de comandos deveriam falar inglês fluentemente. Foram recrutados voluntários por unidades de todas as frentes. Durante dois meses esses comandos tiveram que aprender a ser americano. Conhecer história, geografia, conhecimentos gerais e se desgermanizar. As continências e o famoso bater de calcanhares deveriam ser esquecidos por esse grupo de comandos especiais.

Skorzeny

Tais comandos seriam inseridos na retaguarda aliada, usando uniformes e veículos americanos. Sua principal missão seria causar prejuízos as comunicações. Eles deveriam sabotar pontes, depósitos de munição, cortar fios telefônicos, destruir geradores de energia, trocar sinais de trânsito entre outras ações.

Mas como acontece com a maioria das ações desse tipo, o inesperado aconteceu. Um grupo de 4 homens que estava para sabotar um sistema de rádio entrou acidentalmente num campo minado. Quando os corpos foram resgatados a equipe médica descobriu por baixo das vestimentas americanas o uniforme de campanha padrão da SS.

Logo a notícia se espalhou aumentando ainda mais a ansiedade de todos. Surgiram boatos que esses alemães em uniformes americanos, pretendiam assassinar o Comandante em Chefe Eisenhower. Isso provocou enorme esforço no sentido de aumentar a segurança no campo americano. Policiais militares paravam veículos por toda parte e faziam perguntas especiais que identificavam os americanos. Mesmo usando desse ardil, centenas de americanos natos foram presos por suspeita de integrarem a brigada de Skorzeny. Entre eles o Tenente-General Omar Bradley comandante do 12º Grupo de Exércitos que se deslocara para Versalhes e insistiu por uma audiência com o comandante supremo.

Os alemães, em uniforme americano capturados eram fuzilados de acordo com a convenção de crimes de guerra de Genebra.



Massacre em Malmedy

O 6º Exército Panzer de Dietrich possuía 14 divisões, sendo 5 blindadas (1ª, 2ª, 5ª, 9ª e 12ª) 4 divisões de infantaria blindada (16ª, 17ª, 18ª e 38ª) e 5 de infantaria motorizada .

Tendo como missão à tomada das pontes sobre o Mosa e a conquista de Antuérpia, o 6º Ex precisava empregar grande velocidade. Como ponta de lança foram organizadas duas colunas; uma seguiria pelo flanco esquerdo liderada pela 1ª Divisão Panzer SS (Leibstandarte) seguida pelas 16ª e 17ª Divisões Panzegranadeiras SS. A coluna da direita concentrava a maior parte das divisões blindadas. Sua missão: dar proteção de flanco contra possíveis ataques do 1º ou do 9º Exércitos americanos.

Espalhando uma onda de terror em seu avanço as divisões SS levaram a derrota todas às unidades que se punham ao seu caminho. A coluna da 1ª Divisão Panzer deveria tomar Malmedy conforme pré-estabelecido pelo plano geral da ofensiva.

Malmedy tornou-se palco de uma das piores atrocidades da guerra. O massacre de Malmedy que chocou as forças aliadas fez Eisenhower jurar que levaria todos os responsáveis a julgamento ao fim da guerra. Tal julgamento está pormenorizado nos documentos e arquivos do Tribunal de Nuremberg.

Conta que por volta do meio-dia do domingo 17 de dezembro os trens de artilharia e o comando de combate R da 7ª divisão blindada americana estavam indo de Eupen para a área de reunião divisional próximo a St. Vith, percorrendo pelo sul, um caminho que deveria estar bem atrás do local da luta. Porém, ao mesmo tempo a ponta de lança do grupo de batalha da 1ª Divisão Panzer SS ia de Moderscheid para Stavelot. Havia um cruzamento no oeste aonde fatalmente as duas colunas se cruzariam.

Os tanques da 7ª divisão chegaram lá primeiro e avançaram pesadamente para Ligneuville; alguns minutos depois que o último tanque americano desapareceu por trás de uma elevação, o primeiro dos veículos blindados do Leibstandarte passou logo a leste dessa encruzilhada. Os caminhões de artilharia da 7ª Divisão Blindada deveriam estar passando naquele momento, porque na formação do comboio seguiam logo atrás dos tanques. Foi quando os meia-lagartas e tanques da SS abriram fogo levando vários caminhões à destruição. Os soldados americanos surpresos saltaram dos caminhões e os que não foram abatidos pelos tiros e bombas se jogaram nas valas próximo da estrada, sendo logo presos, desarmados e colocados num campo, ao lado da rodovia. Para que as tropas alemãs que vinham mais atrás pudessem encarregar-se deles.

Os soldados americanos capturados esperaram tranqüilamente, vendo os meia-lagartas, motocicletas, tanques e canhões propulsados passarem para oeste. De vez em quando a coluna parava, e americanos e alemães fitavam-se mutuamente. Depois de umas duas horas, alguém num meia-lagarta disparou sua pistola contra os prisioneiros americanos.

“Fiquem firmes! – bradou um oficial americano. Não corram....

Mas logo depois, outra pistola disparou e então as armas automáticas foram assestadas para o grupo de homens atônitos e indefesos. Em pouco tempo, restava um monte de corpos, alguns se contorcendo em dores; outros inertes. Pelo menos 96 prisioneiros foram mortos. Os que sobreviveram, fingindo-se de mortos conseguiram, mais tarde fugir e terminada a guerra, serviram de testemunhas contra seus algozes.

soldados americanos mortos em Malmedy

O massacre de Malmedy foi severamente punido em Nuremberg. Muitos dos oficiais e graduados acusados pelo ato desonroso foram condenados e executados, entre eles o cabo George Fieps, que disparou o primeiro tiro em Malmedy.


Bastogne

Ë impossível falar da batalha do Bolsão, sem fazer alusão ao cerco de Bastogne. O plano diretor do Alto Comando Alemão previa que Bastogne fosse capturada o mais rápido possível. Por ser um importante anel rodo-ferroviário tanto os aliados, quanto os alemães precisavam da cidadezinha belga para servir de ponto de convergência estratégica.

Com a avalanche provocada pelas forças alemãs. O SHAEF (Quartel General das Forças Expedicionárias Aliadas) precisou desesperadamente fazer planos de contingência e assegurar a posse de Bastogne. Com a carência de tropas Eisenhower resolveu empregar a 101ª Divisão Aeroterrestre (paraquedista) para cumprir tal missão.

Utilizando-se de caminhões a 101 se deslocou para Bastogne na noite de 17 de dezembro. Para os paraquedistas amontoados nos caminhões, Bastogne era apenas uma cidade da área de retaguarda onde havia um QG de corpo (general Middleton comandante do 8º Corpo de Exército já havia instalado seu QG em Bastogne) era portando um local longe da zona de combate. Ninguém poderia imaginar que o nome daquela cidade estava prestes a fazer parte da história da divisão e da própria história dos Estados Unidos.

Tendo sido retirada tão recentemente da Holanda após dois meses de luta que lhes havia custado cerca de 4500 baixas, a 101ª Divisão estava em processo de recompletamento, por isso era opinião geral na divisão que seriam relegados a missões secundárias.

Claro que para o comando geral, a 101ª apesar das baixas sofridas era sem duvida uma força de primeira linha. Tropas de elite prontas para serem empregadas. Além disso, a dramática situação exigia o emprego de todos para deter o rolo compressor germânico.

Para transportar os doze mil homens da divisão até Bastogne foram necessários mais de 600 caminhões. Tão logo chegou a cidade, o general McAuliffe e seu oficial de operações, tenente-coronel Kinard, fizeram apressadamente um reconhecimento do terreno. A divisão foi então posta numa área avançada.
Postos de defesa nos suburbios de Bastogne

Além da 101 paraquedista, participaram da defesa da cidade elementos da 10ª Divisão Blindada e uma força mista formada por sobreviventes da 28ª Divisão de Infantaria. No total aproximadamente 18.000 homens fariam a defesa de Bastogne.

Os alemães por sua vez lançariam 4 divisões contra a cidade. Do 7º Exército foi destacada a 5ª divisão de Infantaria Paraquedista. Porém a principal força contra Bastogne veio do 47º Corpo Panzer (5º Ex Panzer), composto da 26ª Divisão Volksgrenadier, 2ª Divisão Panzer e a Divisão Panzer Lehr, perfazendo assim mais de 64.000 atacantes.

As primeiras tropas alemãs começaram a atacar na noite do dia 19 de dezembro. A 2ª Divisão Panzer desfechou um ataque poderoso nas linhas a leste da cidade. Apoiada por infantaria, 12 tanques Pantera avançaram furiosamente sobre a linha de defesa do 506º Regimento Airborne. A luta acirrou-se. Durante três horas os paraquedistas dispondo de morteiros, metralhadoras, canhões anti-tanques e bazucas além de suas armas individuais conseguiram deter os alemães.

Um esquadrão de tanques da 10ª Divisão foi deslocado para dar apoio aos defensores neste setor. Sucessivos ataques foram repelidos pelos defensores. Muitos jovens panzergranadeiros foram mortos ou feridos, embora valentes sua inexperiência custava-lhes muito caro.

Na manhã do dia 20 de dezembro outros ataques alemães se sucederam. Tropas da 2ª Divisão Panzer atacaram por todo o perímetro de defesa. Com a 5ª divisão atacando pelo sudeste e a 26ª atacando pela posição nordeste; objetivam os alemães colocar pressão na linha e rompe-la. Porém os paraquedistas estavam decididos a não ceder. Uma resistência obstinada manteve os atacantes longe da linha. Uma bateria de 3 canhões de 105mm atirando com granadas de alto explosivo conteve os panteras da 2ª divisão, seus tiros certeiros mantiveram a posição por todo aquele dia.

Na quinta-feira dia 21 os nazistas lançaram nova arremetida. A situação por todo o perímetro defensivo parecia critica. Após intenso fogo de artilharia, tropas das 26ª e da 5ª divisões atacaram Bastogne por 4 lados diferentes. A intenção dos atacantes era saturar a linha inimiga com intenso fogo, em seguida lançar forças blindadas e assim romper as defesas americanas. Os defensores, porém castigaram o avanço alemão, infringiram sérias baixas ao inimigo. Tanques Shermans com os “cascos baixos” destruíram 9 tanques panteras. A ação desses blindados americanos e o renovado esforço da infantaria mais uma vez frustrou o ataque.

Apesar da tenaz resistência, um sentimento de abandono passou a contagiar os defensores. Bastogne estava sitiada, a reserva de suprimentos estava muito abaixo, o frio cortava a alma e a carne dos combatentes. A munição estava quase esgotada. Alguns acreditavam que talvez a única medida sensata fosse a rendição, outros, porém acreditavam que o resgate estava a caminho. Nunca o espírito de liderança se fez tão necessário. Os oficiais subalternos (capitães e tenentes) e seus sargentos através do incentivo e persuasão conseguiram manter o denodo dos defensores.


O ataque da Panzer Lehr

Na manhã do dia 22 de dezembro duas colunas de 16 tanques apoiados por um batalhão de Panzergranadeiros da Divisão Panzer Lehr atacou a linha norte de Bastogne. Por volta de 8 horas da manhã a luta era muito acirrada. Um grupo de paraquedistas conseguiu deter o ataque dos panzers a menos de 150 metros da linha. Intenso fogo de morteiros, canhões antitanque e de bazucas somados com a falta de visibilidade causada por um nevoeiro fez com que os alemães mantivessem os tanques recuados.

Duas horas depois provocados insistentemente pelo comando a atacar, os tanques alemães aventuraram-se a prosseguir. No avanço oito deles foram destruídos, pelas bazucas dos paraquedistas e por ação dos destruidores de tanques (canhões autopropulsados americanos).

A Divisão Panzer Lehr era parte integrante das forças que deveriam atacar Bastogne. Comandada pelo veterano general Fritz Bayerlein Nos primeiros dias se manteve na reserva. Mas como o anel defensivo não se quebrava, seus blindados foram empregados como uma segunda onda contra a brava resistência dos paraquedistas americanos.

Os grupamentos mistos de combate (infantaria e tanques) avançavam em intervalos cada vez menores. Dois batalhões panzergranadeiros avançaram pelo bosque que se situava no lado leste da cidade. Ali encontraram uma linha bem fortificada. Intensa barragem de fogos atormentaram os atacantes. Bombardeio de canhões de 150mm do batalhão de Artilharia da 101 dizimou a infantaria alemã, enquanto que paraquedistas munidos de bazucas e canhões sem recuo abriam fogo contra os blindados.

Naquela noite os alemães resolveram mudar de tática. Escolheram um único ponto da linha a ser rompido, em seguida utilizando-se de fogos de canhões 88mm, morteiros de todos os calibres e de lançadores múltiplos, fizeram disparos indiscriminadamente sobre esse ponto. A idéia era saturar a linha nesta localidade e em seguida num lance rápido furar a linha defensiva entrar em Bastogne e eliminar a resistência já dentro da cidade.

Precisamente às 22 horas toda a artilharia alemã disparou contra o ponto leste da cidade. Esta posição era guarnecida pelo 2º batalhão do 506º regimento airborne. Durante mais de 2 horas as bombas caiam sobre as posições americanas. Foram feitos aproximadamente 1200 disparos de artilharia. Aos 00:15 minutos de 23 de dezembro 3 batalhões de panzergranadeiros atacaram. Uma luta renhida foi travada pela posse da posição. Os contendores lutavam como leões por sua presa. As baixas de lado a lado eram muito grandes. A avalanche de fogos de artilharia havia desorganizado o sistema defensivo da 101. Por muito pouco a linha não caiu. Isso se deve a mui feliz idéia do Coronel Robert Sink ter sugerido que oito tanques da 10ª divisão formassem uma força de ataque móvel que deveria servir de reserva tática do 506º Regimento. Foi essa força junto com os paraquedistas das companhias D e E que mais uma vez frustraram o ataque alemão.

Ao amanhecer os paraquedistas recuaram 500 metros para o interior da linha. Ali construíram novas trincheiras e espaldões para fortificar as defesas mais uma vez.


O Ultimato de Manteuffel

Apesar de não conseguir capturar a cidade, o comando alemão estava em geral satisfeito com a situação de Bastogne, pois tendo cortado todas as estradas de norte a sul e avançado suas colunas blindadas para os subúrbios. A cidade estava virtualmente cercada.

No final da manhã do dia 23 de dezembro uma embaixada composta por 4 oficiais alemães empunhando uma grande bandeira branca se dirigiu a linha americana. Esse grupo tinha como missão levar uma proposta de rendição ao comando americano em Bastogne. Na verdade o documento exigia do comandante americano uma rendição honrosa, do contrário todo um corpo de blindados e seis batalhões de artilharia aniquilariam as tropas sitiadas na cidade. O documento ainda ressaltava que as baixas entre os civis seria fatalmente elevadas e que toda responsabilidade cairia sobre o comando americano.

Os alemães concediam aos americanos duas horas de prazo para se decidirem; os emissários deveriam ser libertados as 14:00 h daquele dia, o mais tardar, porém o ataque só se reiniciaria as 15:00 h

Nuts (bolas, necas ou está louco, depende da tradução) foi à resposta do general McAuliffe. Os germânicos não entenderam foram prontamente informados que a resposta era não a rendição. O mais graduados deles, um major da Panzer Lehr, retrucou que como trouxera um documento formal, tinha o direito de levar uma resposta por escrito. Então em letras garrafais McAuliffe escreveu NUTS e entregou aos enviados alemães.

Quando o major alemão leu a resposta ficou indignado e disse: “Nós mataremos muitos americanos. ....isto é guerra”. De pronto o Coronel Harper respondeu: “Se vocês continuarem atacando mataremos todos os desgraçados alemães que tentarem penetrar nesta cidade”. Com isso os dois oficiais saudaram-se formalmente.

Quando a noticia da oferta e recusa de rendição começou a circular pela cidade, muitos combatentes começam a bater palmas de alegria. Morrer sim, render-se jamais.

O principal ataque alemão naquele dia foi desfechado ao entardecer, partindo dos bosques situados ao norte 24 tanques da Panzer Lehr e 12 da 2ª divisão Panzer seguidos de tropas de infantaria da 26ª Divisão Volksgrenadier cerraram sobre as defesas de Bastogne. A defesa dos americanos ali era escorada por 8 canhões do 420º Regimento de Artilharia Blindada, 2 companhias mistas de fuzileiros e sapadores, uma companhia de paraquedistas do 502º Regimento Airborne e 6 tanques Shermans.


Mais uma vez uma luta infernal foi travada entre americanos e alemães Os Long Horn bombardeavam diretamente os panteras e tigres das divisões panzer. Os Shermans fizeram disparos nos blindados e nas tropas de infantaria. O poder de fogo enfrentado pelos alemães era muito pesado. Depois de mais de 1 hora de escaramuças e com grande perda de tanques e soldados os atacantes se retiraram.

Durante todo o dia 24 houve serias lutas por todo o perímetro defensivo. Naquela mesma noite o céu se abriu então foi à vez da Luftwaffe entrar em ação. A cidade sofreu um sério bombardeio da aviação alemã. Até mesmo o hospital aonde eram tratados os feridos fora atingido pelas bombas das aeronaves de Hitler.

Com a munição bastante reduzida e com os alemães bombardeando continuamente por toda a noite, os homens entrincheirados na linha de frente se perdiam em pensamentos alguns lembravam de casa, outros de suas namoradas, mas com certeza o pensamento que mais afligia aqueles homens era quando se daria o inevitável ataque alemão, até quando poderiam resistir a tudo aquilo.

Na manhã de natal, os defensores tiveram uma bela surpresa, ao clarear e desanuviar-se por completo o céu, sobre Bastogne, os aviões aliados começaram a deixar cair munições, combustíveis e víveres. A situação principiava, portanto, a sofrer uma reviravolta a favor dos americanos sitiados. No correr do dia, 140 toneladas de víveres e munições foram jogadas sobre a cidade por 241 aviões, com tal precisão que 95% da carga caíram sobre as linhas dos sitiados.

Uma coisa ficou bem clara para o general Manteuffel, o valor combativo dos defensores faria com que a tomada de Bastogne custasse muito caro para as tropas do 5º Exército Panzer.


A reação dos Aliados

Antes da chegada dos alemães a Bastogne, o Alto Comando aliado já planejava o resgate dos defensores da cidade belga, bem como armar uma contra-ofensiva de peso que faria os alemães retroceder e por fim acabar com a ultima reserva móvel dos hunos.

Em 19 de Dezembro os principais comandantes de campo aliados reuniram-se com Eisenhower em Verdun. Como o 3º exército do General Patton, apesar de já estar lutando dentro de território alemão, ser a única força capaz de empenhar-se na missão para resgatar os defensores de Bastogne, Georgie prontamente exigiu para si essa tarefa.

O grosso do 3ª Ex encontrava-se na área do Sarre, terceira área industrial da Alemanha, Patton logo organizou um corpo de divisões para seguir em direção ao inimigo. Na testa da formação colocou as 4ª e 6ª Divisões Blindadas, outras 4 divisões de infantaria motorizadas completariam o “grupo de combate que abalaria toda a ofensiva alemã”. A tarefa parecia quase impossível; primeiro o exército de Patton estava no meio de uma batalha pela posse do Sarre, outro problema é que Bastogne fica ha mais de 200 Km.
Mesmo um exército disciplinado teria dificuldades de sair duma batalha, andar uma longa distância e combater um inimigo que jogava todo seu destino nesta disputa. Sem contar que o 3º Exército lançou-se a contra-ofensiva em meio a uma forte nevasca.

Porém nada parecia deter o avanço da 4ª Divisão Blindada. As demais divisões americanas também seguiam céleres em socorro dos que estavam cercados em Bastogne. Tropas seguiam em caminhões ou até mesmo a pé, em marcha forçada pela neve.

Dias depois do inicio da marcha do 3º exército, houve uma melhora nas condições climáticas, a aviação aliada conseguiu agir com todo seu poderio bélico contra os panzer, fazendo os retroceder e destruindo centenas deles. Milhares de aviões da Força Aérea dos Estados Unidos e da RAF entraram em ação. Nada que se movia foi poupado. Os blindados alemães foram constrangidos a operarem apenas à noite, em meio ao gelo e a neve, o que praticamente os paralisou.

A 26 de dezembro, a 4ª Divisão Blindada americana após destroçar as linhas alemãs, penetrou em Bastogne, libertando os efetivos cercados. Patton continuo atacando. Seu avanço estratégico foi decisivo para o resultado final da batalha.

As posições se mantiveram relativamente estáveis até 17 de janeiro, mas pouco a pouco os alemães começaram a perder terreno, à medida que grande parte de seus blindados era destruída ou ficava imobilizada pela falta de combustível, que eles pensavam em roubar dos aliados. Sangrentos combates, inclusive corpo a corpo e com armas brancas, foram registrados até 18 de janeiro de 1945, data oficial do fim da batalha das Ardenas.

Porém, apenas no dia 31 de janeiro as tropas alemãs foram empurradas para mais além da linha de frente da qual haviam partido em 16 de dezembro. Esta vitória, particularmente dolorosa - quase 15 mil mortos americanos e 2,5 mil civis belgas - acelerou bastante o fim da guerra.

Hitler jogou tudo nas Ardenas. Os homens e o equipamento perdidos nesta batalha fizeram falta algumas semanas depois na defesa de seu território



Ataque a Pearl Harbor

Pearl Harbor, Havaí 07 de Dezembro de 1941, em apenas 2 horas os aviões japoneses, sem aviso prévio liquidaram a maior parte da frota norte-americana. A guerra chega aos domínios dos Estados Unidos.

Concebido pelo almirante Isoroku Yamamoto, o ataque japonês a Pearl Harbor é considerado uma das mais ousadas e bem planejadas operações aeronavais da Segunda Guerra Mundial.







Diplomacia e Ousadia
Na década de 30 o Império Japonês implantou uma política expansionista. Por volta de 1935 diversas nações e territórios do sudeste asiático já se encontravam sob domínio nipônico. Vários recursos logísticos, entre eles minérios e petróleo eram necessários para o Japão manter suas bases nas terras conquistas. A grande maioria desses suprimentos era importada dos Estados Unidos.
A política externa americana implantada pelo presidente Franklin D. Roosevelt era abertamente contra “o domínio japonês de nações e povos indefesos”. Com a intenção de conter os abusos japoneses na China e Coréia o governo dos Estados Unidos resolveu adotar uma política de redução as exportações de minério, sucata e petróleo ao Japão. O que gerou uma grave crise diplomática entre os dois paises.

Quando o Japão assinou o pacto Tripartite com Alemanha e Itália, “nações fora da lei” segundo Roosevelt, as relações diplomáticas nipo-americanas ficaram mais frias. O governo dos Estados Unidos agora considerava o Japão integrante do “Eixo do Mal” e não mediaria esforços para conter esse inimigo em potencial.

Mas era preciso agir com cautela. A guerra na Europa já se arrastava por quase 2 anos. A opinião publica americana era adepta ao isolacionismo, tinha horror de se envolver numa nova guerra, que só traria dor e tristeza aos americanos. Em outras palavras o povo americano não queria a guerra. Por esse motivo Roosevelt resolveu negociar com o Japão.

A Casa Branca designou o Secretário de Estado Cordell Hull para negociar a “paz restritiva” com o embaixador japonês almirante Nomura. Durante meses os diplomatas americanos e japoneses discutiram meios para manter a paz. Os americanos não abriam mão de exigir garantias sólidas para a paz firmadas pelo governo japonês. Para acalmar os americanos foi enviado do Japão Saburu Kurusu representante oficial do imperador Hiroito. Para honrar todos os acordos feitos com os americanos.

Mas ao mesmo tempo em que Nomura e Kurusu negociavam com Hull, o Alto Comando da Armada japonesa preparava-se para desencadear o ataque a Pearl Harbor. Dando a esse episódio a alcunha de “A Grande Traição” (7 de Dezembro de 1941 passou a ser conhecido na história como “o Dia da Infâmia”)



Porque Pearl Harbor?

A base aeronaval de Pearl Harbor no Havaí era um ponto estratégico norte-americano para a defesa da costa oeste e de seus protetorados na Ásia. Com a ofensiva japonesa no sudeste asiático, o comando da marinha americana decidiu deslocar a frota baseada na Califórnia para Pearl, como forma de dissuadir qualquer ameaça japonesa, as possessões americanas na Ásia.

Pearl reunia todos os meios para servir de Quartel General das Operações Combinadas da Marinha e Exército dos Estados Unidos. Além de possuir uma posição geográfica perfeita, disponha de estaleiros e docas secas para reparos, bases aéreas para 20 esquadrilhas de aviões, diversos cais para atracagem de navios, uma excelente infra-estrutura de comando, onde incluía-se centro de controle aéreo com radar e um hospital de base. Todos os recursos para deixar a frota em condições operacionais Além das belíssimas praias.

Só tinha um único demérito. A quantidade de suprimentos produzidos pela pequena industria do arquipélago era demasiadamente pequeno para satisfazer as necessidades da frota. O transporte de carga da costa oeste era muito lento e sempre dependia de grandes navios para trazer produtos em quantidade razoável para manter as operações e os milhares de militares e suas famílias que viviam no Havaí.

Sendo o Havaí o centro de gravidade do comando militar dos Estados Unidos, Pearl Harbor, portanto era um alvo tentador para as operações de guerra japonesas.



Yamamoto o Homem e o Gênio Militar

O fato mais irônico na história do ataque japonês a Pearl Harbor, é que seu autor, o Almirante Isoroku Yamamoto, sempre se mostrou contrário a uma guerra entre o Japão e os Estados Unidos. Ele havia servido como adido militar junto à embaixada japonesa em Washington nos anos vinte e conhecia perfeitamente o poderio industrial e militar dos americanos. Sabia dos seus inesgotáveis recursos materiais, das infinitas possibilidades de sua industria e de seu enorme poder econômico. Além do recurso humano, ele sabia que apesar da opinião publica ser adepta ao isolacionismo, o espírito aguerrido do povo americano, bem como sua vontade de lutar e superar as adversidades viriam à tona caso a América fosse agredida. Comparando as duas realidades Japão e Estados Unidos Yamamoto chegou a conclusão que em uma guerra prolongada com os americanos o Império Japonês sairia derrotado.
Yamamoto era partidário de uma política de cooperação mutua com os Estados Unidos. Foi diretamente contra o Pacto Tripartite com a Alemanha e Itália.
Meses antes do ataque a Pearl, num memorando dirigido ao ministro da marinha disse ele: “A guerra Japão-Estados Unidos será um acontecimento sinistro dos mais graves para o mundo. Para o Império enfrentar mais um forte inimigo, após vários anos de guerra sagrada (contra a China), representa um sério perigo. Nada temos a ganhar numa guerra contra os EUA, mas tudo a perder”.


Mesmo tendo opinião contra a guerra nipo-americana, Yamamoto seguiu as diretrizes de seus superiores. Ele era um militar honrado que amava seu país. Um profissional muito capaz, que em 1940 assumiu o posto de Chefe da Esquadra Conjunta (similar ao de Comandante de Operações Navais na Marinha do Brasil).

Indagado pelo ministro da marinha japonesa como pretendia derrotar os americanos. Ele respondeu usando um dos velhos provérbios que aprendera do avô. “Se quiseres os filhotes do tigre vai busca-los em sua toca”. Yamamoto completou “Minha iniciativa será atacar Pearl Harbor, quando lá estiver concentrada o melhor da frota americana do Pacífico. Nossa única possibilidade de vencer essa guerra é destruir a esquadra norte-americana no Havaí”.

Como estrategista Yamamoto sabia que somente um golpe fulminante atordoaria o inimigo. Ele prepararia planos para dar tal golpe nos americanos afim de força-los a pedirem pela paz. Esse bravo comandante sabia que o Japão teria fôlego para causar esse efeito por apenas 7 meses de luta. Esse era o tempo que tinha para alcançar a vitória.



A Estratégia Japonesa

Para decidir a guerra num prazo tão curto, o Japão teria que assestar logo de inicio golpes mortais no inimigo, no que diz respeito aos Estados Unidos, o golpe de maior prejuízo as suas operações militares era a total destruição da Frota do Pacífico. Assim Yamamoto, o contra-almirante Takajiro Onishi chefe do Estado-Maior da Esquadra Conjunta e o capitão de mar e guerra Minoru Genda seu chefe de operações reúnem-se em fevereiro de 1941 para criar as primeiras diretrizes que consumariam o ataque a Pearl Harbor.

Os três militares chegaram a conclusão que a melhor alternativa para alcançar o inimigo seria por meio de ondas de aeronaves que decolariam de porta-aviões ancorados a 260 milhas da costa do Havaí. A seção de inteligência informou a localização dos aeródromos americanos na ilha de Oahu. Também que a baía de Pearl era estreita e pouco profunda o que impediria manobras defensivas dos navios americanos.

Em 24 de Junho de 1941, após quebrar a resistência de comandantes navais ortodoxos que defendiam a tese de que o primeiro ataque aos Estados Unidos deveria ser dirigido às Filipinas, Yamamoto apresentou ao Estado-Maior da Marinha Japonesa, em linhas gerais, o plano para o ataque a frota americana do Pacífico. Munido de fotos entre outros documentos fornecidos pela inteligência, ele mostrou cada ponto defensivo americano e como faria para neutralizar essas contingências. O almirantado por unanimidade aprovou o plano para a “Operação Havaiana” de Yamamoto.

Com a aprovação do plano de ataque pelo Alto-Comando, Yamamoto expediu aos comandantes a diretiva operacional para o ataque a Pearl. Sendo o sigilo vital para o sucesso da operação somente os chefes das mais altas patentes tiveram acesso a local, datas e horários do grande ataque.


Onde está a Esquadra Japonesa?

As relações diplomáticas de Estados Unidos e Japão haviam se deteriorado muito durante o final dos anos 30. Ciente de que o Império Japonês poderia ser um eventual inimigo, os serviços de inteligência americanos introduziram diversos espiões em terras japonesas, com o objetivo de colher o maior numero de informações do esforço de guerra nipônico.

Em agosto de 1941 a inteligência americana conseguiu quebrar o código operacional da marinha japonesa. Junto aos informes dos espiões, a inteligência naval americana através de mensagens decifradas descobriu que uma forte esquadra composta de 31 navios de guerra, sendo 6 porta-aviões haviam zarpado do Japão.

A localização e o destino deste imenso aparato seriam as principais preocupações da inteligência naval americana naquele novembro de 1941. A esquadra japonesa simplesmente havia sumido, não havia evidência de seu suposto destino, perdida estava Pacífico adentro. Naqueles dias de tensão a frase mais escutada nos corredores do Departamento de Guerra em Washington era: “Onde está a esquadra Japonesa”.

Aviões de observação foram enviados das Filipinas e de Midway com o objetivo de localizar a frota nipônica, porém com a intenção de evitar essas aeronaves Yamamoto traçou uma rota que passava muito além da autonomia dos aviões de observação, a rota de “mar ocioso” trecho fora das principais rotas usadas no Pacífico. Ele ainda havia ordenado silêncio total nas comunicações, para evitar que as ondas de rádio permitissem sua localização. Com essas medidas era praticamente impossível monitorar a esquadra.



Nitaka Yama Nobore

Na tarde de sábado 06 de dezembro de 1941, a maioria das unidades navais sediadas em Pearl Harbor se encontravam ali ancoradas. Somente os porta-aviões Enterprise que estava a caminho de Wake, Lexington que havia levado aviões a Midway e o Saratoga que estava na Califórnia se encontravam ausentes. Vale lembrar que a esquadra sediada em Pearl Harbor era exatamente o que a marinha americana tinha de melhor entre suas belonaves. Lá se encontravam os encouraçados Oklahoma, Tennesse, Pennsylvania (que se encontrava em reparos), Arizona, Nevada, West Virginia, Califórnia e o Maryland. Os cruzadores Honolulu, Raleigh, St Louis e Helena , os contra-torpedeiros Downes, Cassin (em reparos), Utah e Curtiss. Yamamoto sabia que essa forte esquadra seria o maior e mais perigoso oponente a ser enfrentado no Pacífico. Destruí-la era a medida mais sábia para manter a hegemonia no sudeste asiático.

À noitinha do dia 06 de dezembro a frota japonesa já se encontrava a uma distância de onde seus aviões poderiam decolar, lançar suas bombas e torpedos, destruindo tudo o que fosse possível, e em seguida voltar aos porta-aviões. Para executar a missão seriam empregados 432 aviões japoneses, em três ondas de ataque.

Cada tripulação fora instruída a atacar um alvo respectivo. Os pilotos receberam fotos dos alvos que deveriam atacar, inclusive fotos e mapas dos locais de sua ancoragem. Essas informações precisas vieram dos numerosos espiões japoneses que se basearam em Oahu, muitos havaianos de origem japonesa trabalharam para a inteligência nipônica. A rede de espionagem japonesa no Havaí era tão espalhada e precisa que os pilotos japoneses bombardearam só os hangares do Exército que continham equipamento vital e ignoraram os hangares vazios. Alguns desses pilotos japoneses eram graduados de escolas secundárias de Honolulu, e estavam familiarizados com a região.

Naquela noite de seu Quartel-General em Tóquio Yamamoto envia uma mensagem ao almirante Nagumo, que comandava a frota. Dizia a mensagem: Nitaka yama nobore (escalem o monte Nitaka) a senha para desfechar o ataque a Pearl. Na manhã de domingo, por volta de 7:30 da manhã a primeira onda de aviões parte em destino a Pearl Harbor.



Às 8 horas da manhã as primeiras bombas japonesas começam a cair sobre a base aeronaval americana. Um torpedo japonês acerta a proa do Oklahoma, uma bomba é lançada sobre o convés do Arizona, essa atinge o depósito de munições do navio explodindo-o Outras aeronaves japonesas causam sérios prejuízos aos couraçados West Virgínia, Maryland e ao cruzador Honolulu.


Os Zeros japoneses atacam também as bases aéreas do exército destruindo 180 aviões americanos.

Na segunda onda os japoneses atacam alvos do comando central na ilha de Oahu, hangares ao norte do arquipélago, navios nas docas e até mesmo o hospital foi alvo da fúria japonesa.

O surpreendente ataque, que deixou o mundo inteiro pasmo e os Estados Unidos sem fôlego durou cerca de 2 horas. Neste curto espaço de tempo as forças armadas americanas perderam o que demais moderno possuíam. Quando os últimos Zeros deixaram os céus do Havaí, pode-se constatar a enormidade das baixas sofridas pelos americanos. No relatório de perdas encontram-se 18 navios afundados ou seriamente atingidos. Além da perda do Arizona, Oklahoma, Helene, Shaw e do navio-oficina Vestal, os couraçados Califórnia, Tennesse, Pennsylvania e Nevada foram seriamente avariados e colocados fora de ação por muito tempo. Paralelamente foram destruídos nos aeroporto e hangares do arquipélago 188 aviões do exército e 92 da marinha e pelo menos outros 159 sofreram avarias. O atraque japonês tirou a vida de 2.403 militares e 68 civis, além de provocar ferimentos em centenas de pessoas.

Durante o ataque os japoneses perderam 27 aviões e 1 submarino. Levando-se em consideração a envergadura e o sucesso da operação as perdas foram muito pequenas.

“O ataque a Pearl Harbor constituiu feito militar tão audaz e de êxito tão retumbante que merece um lugar especial na História. Em um só golpe magistral o Japão não apenas abriu a primeira fase da Guerra no Pacífico, mas lançou uma destruição em massa sobre a poderosa frota americana que foi totalmente tomada de surpresa nas ilhas havaianas. Quando nosso Serviço de Inteligência catalogou os resultados finais da Operação Havaiana, verificamos que o ataque havia infligido danos aos navios de guerra americanos em escala muito maior do que os prognósticos mais otimistas. O desmantelamento de um grande e poderoso segmento da frota americana colocava as unidades navais japonesas numa posição de poderio suficiente para permitir nossa rápida movimentação através do Pacífico e do Indico”. (trecho extraído do livro Zero)

E foi realmente o que aconteceu. Não temendo mais a esquadra americana aniquilada em Pearl Harbor, as forças japonesas puderam espalhar-se sem dificuldades por quase todo o Pacífico.

O evento levaria uma nação relutante a entrar na Segunda Guerra Mundial. Na noite de 8 de Dezembro, em reunião extraordinário do Congresso, o Presidente Franklin Delano Roosevelt declara guerra ao Império Japonês. Em seu discurso disse: “O repentino e criminoso ataque perpetrado pelos japoneses no Pacífico é o ponto culminante de uma década de imoralidade internacional.... Os japoneses violaram traiçoeiramente a paz que há anos reinava entre nossas nações... Por esse motivo declaramos guerra ao Império Japonês.... Tenho a confiança de que todos conservaremos as grandes causas espirituais da Justiça, da Fé e da Coragem, sem as quais não poderemos sair triunfantes... os Estados Unidos não irão aceitar outro resultado senão a vitória completa e final”.



Questionando

É impossível por a prova o brilhantismo da Operação Havaiana e a astúcia e tirocínio de Yamamoto, porém a vergonhosa derrota americana sempre trará questionamentos por parte de militares, especialistas e estudiosos do assunto.

O primeiro questionamento a ser levantado, é como o Serviço de Inteligência dos Estados Unidos (que naquela época era um dos melhores do mundo) deixou-se ser ludibriado pela contra-espionagem japonesa, se até um espião soviético (Richard Sorge) infiltrado na embaixada alemã em Tóquio já relatava para Moscou em outubro, que uma ação militar japonesa contra os Estados Unidos estava prestes a acontecer?

Outro fator de ponderação se dá a notória negligência por parte das autoridades militares americanas de tomar providências relativas à defesa de suas bases no Pacífico. Se um inimigo em potencial lança um imenso aparato militar ao campo, a primeira ordem de um comando prudente, seria colocar as unidades militares da área em alerta ou em prontidão, algo que não aconteceu.

Porque o almirante Kimmel (comandante militar de Pearl Harbor) não levou em consideração a ameaça japonesa, quando em Agosto diversos espiões foram presos com fotos, mapas e outros documentos de localização dos navios da Armada?

Porque o general Short comandante das unidades aéreas do exército não instituiu patrulhas de reconhecimento permanente? Se houvesse caças interceptores americanos nos céus do Havaí o inimigo perderia o fator surpresa.

Essas e outras perguntas levaram o Senador Alben Barkley do Kentucky a propor a abertura de uma CPI sobre Pearl Harbor no Congresso dos Estados Unidos em Novembro de 1945. Os congressistas americanos questionaram se houve negligência governamental na execução de medidas contra o ataque. Depois de meses de investigação que rendeu um relatório de 25.000 páginas o congresso concluiu que a vergonhosa derrota se deve a incompetência dos comandantes militares de Pearl Harbor.